
[Em 07.04.2011]
Aula da Tia B. Borges. Eu e Nana, coincidentemente, escrevendo sobre mamães. Ela já postou sobre a Vida dela. E eu aqui brigando com meus recalques e sentimentalidades com os auspícios da maldição das filhas de Eva para falar da minha.
Mãe,
Hoje você estava tão bonita vestida nos panos das minhas lembranças que, o ônibus danificado, o atraso para a aula, as pessoas enervadas, não foram motivo suficiente para toldar com desprazer minha audição.
Não havia como não sorrir. Uma de nossas músicas tocando grave no meio da confusão. Não havia como não sorrir da lembrança pueril da barra do seu camisão molhado, da bacia cheia de roupas, da música tocando e, nós duas, embolando em inglês fonético uma música dos anos 70.
Nunca te disse que me sentia tão sua filha naqueles momentos, compartilhando do seu gosto, a intimidade das conversas de lavar roupas, de ir emulherecendo naquele aprendizado útil, revelador de sua força, disciplina, minunciosidade.
Nunca te disse tantas coisas, mas fui me nutrindo de seus desvelos, de sua proteção, de seu aconselhamento, de suas manias tão familiares, tão mal imitadas de minha parte que me atrevo a chamar isto de personalidade.
Queria ter uma menina, parecida com você. Mulher desde sempre. Linda, forte. Matrilineadora. Cantora do nosso inglês. Da nossa língua pessoal, das nossas músicas de lavar roupa, do nosso emulherecer.
Quando eu crescer, quero ter uma menina, parecida com você.
Amo-te.
Não havia como não sorrir. Uma de nossas músicas tocando grave no meio da confusão. Não havia como não sorrir da lembrança pueril da barra do seu camisão molhado, da bacia cheia de roupas, da música tocando e, nós duas, embolando em inglês fonético uma música dos anos 70.
Nunca te disse que me sentia tão sua filha naqueles momentos, compartilhando do seu gosto, a intimidade das conversas de lavar roupas, de ir emulherecendo naquele aprendizado útil, revelador de sua força, disciplina, minunciosidade.
Nunca te disse tantas coisas, mas fui me nutrindo de seus desvelos, de sua proteção, de seu aconselhamento, de suas manias tão familiares, tão mal imitadas de minha parte que me atrevo a chamar isto de personalidade.
Queria ter uma menina, parecida com você. Mulher desde sempre. Linda, forte. Matrilineadora. Cantora do nosso inglês. Da nossa língua pessoal, das nossas músicas de lavar roupa, do nosso emulherecer.
Quando eu crescer, quero ter uma menina, parecida com você.
Amo-te.

